RUA: Entre o ritmo e a travessia
Com uma ficha técnica que reúne nomes de destaque e um forte investimento na dimensão sensorial da cena, RUA , com dramaturgia de Fran Ferraretto e direção de Eugenio Lima, se constrói como um espetáculo em que música, dança e visualidade para além de acompanhar a ação, são sua própria engrenagem dramatúrgica. Há um pulso contínuo que atravessa o trabalho e que se ancora, sobretudo, na experiência do corpo: o desejo de dançar, de repetir os gestos, de entrar em relação com aquilo que se vê. Essa dimensão não é acessória. Ao contrário, parece ser a principal aposta da encenação. Embora a narrativa apresente a desigualdade social como ponto de partida, a peça opta por não aprofundá-la em chave analítica, mas por mantê-la como horizonte de fundo, como uma presença que organiza o espaço, mas não tensiona diretamente a ação. A rua, nesse sentido, opera mais como imagem do que como conflito: lugar de encontro, de brincadeira, de atravessamento possível. Foto: Rafa Américo O deslo...