Divórcio: o que ainda precisa ser dito?
Confesso que cheguei ao teatro acreditando que assistiria a uma peça densa, marcada quase exclusivamente pela violência contra as mulheres, como a cruel história que atravessou — mas não limitou — a vida de Maria da Penha. Saí do teatro precisando de um tempo para me recolher, pensar, digerir, lidar com lembranças e sensações. Ainda assim, dei boas risadas e fiz conexões importantes durante a apresentação. Divórcio não ameniza a violência. Ao contrário, encontra formas de nos fazer atravessá-la sem nos paralisar. Logo no início, ao acompanharmos a personagem de classe média vivendo seu processo de separação, somos envolvidas pela neblina da dor, da confusão e de uma espécie de "desfuturo" que o divórcio provoca. É uma sensação que ultrapassa a perda. É como estar diante de uma ponte que se rompe ao meio. Para onde ir se já não existe mais o caminho de volta? E qual é o caminho que segue adiante? A solidão dessa mulher, e das outras mulheres que habitam a cena deste espetác...