Ajustar o mundo: cuidado, gênero e normalidade em PRISMA – eu sou assim
Foto: Caca Bernardes Em cartaz no Sesc Consolação, PRISMA – eu sou assim , com dramaturgia de Marcelo Romagnoli e direção de Cris Lozano, propõe uma operação delicada: encenar o autismo a partir da experiência sensível de uma menina, sem transformá-lo em tese pedagógica nem em alegoria excessivamente intelectualizada. A ambientação no cérebro da protagonista poderia facilmente escorregar para o didatismo ou para o virtuosismo formal. No entanto, a encenação aposta em um lúdico comedidamente construído. Não há simplificação condescendente, tampouco densidade simbólica que afaste o público infantil. O que emerge é uma dramaturgia que confia na inteligência da criança e na capacidade do teatro de tornar visível o que não é imediatamente perceptível. A encenação também recorre a imagens simbólicas discretas. No início, o elenco formado por Amanda Nascimento, Alessandro Hernandez e pela protagonista e idealizadora do projeto, Tertulina Alves surge com diferentes aparatos na cabeça...