Pra Lá de Marrakech: notas sobre o que não sei
Uma atriz, alguns tapetes e objetos de cena, uma boa iluminação, um texto bem escrito e narrado. Acolhimento, aconchego e distâncias, muitas distâncias. Sonhos, perdas, revoltas e vazio. Interação, recepção, risos e choro. Assim, a atriz Khazar Masoumi atravessa o palco com uma presença que nos mantém perto. Apesar da minha formação em História, constato sem espanto, mas com brutal honestidade de quem se especializou em coisas outras, que não sei quase nada sobre o Irã. Tampouco sobre a antiga Pérsia. Enquanto assistia a Pra Lá de Marrakech , percebi que esse desconhecimento não era apenas meu. Reconhecemos imagens, repetimos notícias e, por vezes, emitimos opiniões sobre conflitos que atravessam continentes, mas conhecemos pouco além da superfície das histórias que sustentam essas vidas. A peça se abre pelas frestas metafóricas dos tapetes que aparecem logo no início da encenação e me levaram imediatamente à sala da casa da minha infância. Eles habitam um imaginário que me é fam...