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A mostrar mensagens de maio, 2026

A Estética da Saudade

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  Saindo do Sesc Santana, segue-se pela Av. Luiz Dumont Villares, Avenida Nova para os íntimos, rumo à Avenida Zaki Narchi. Onde hoje existe um posto de gasolina, na esquina com a Rua Jacuna, atravessa-se a rua e vira-se a terceira à direita, na Guaracininga. Foi ali que passei parte da infância: jogos improvisados na rua, brincadeiras que transformavam qualquer pedaço de concreto em território imaginário, amizades que o tempo afastou da convivência cotidiana, mas que seguem vivas em alguma região do afeto e, às vezes, do Instagram. Não morando mais naquele bairro, percebo que retornar àquela região produz uma espécie de nostalgia geográfica. Antes mesmo de entrar no teatro, meu corpo já estava implicado emocionalmente por uma memória espacial. Talvez por isso Saudade , espetáculo do grupo Os Geraldos, tenha me atravessado desde o início: não apenas pelo tema da infância, mas pela forma como a peça transforma lembrança individual em memória coletiva encenada. As brincadeiras aprese...

Do fio d’água ao transbordamento - A Força da Água

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  O coletivo cearense Grupo Pavilhão da Magnólia presenteou o público paulistano com o espetáculo a Força da Água , que realizou uma curta temporada no Sesc Paulista.  A obra parte de uma pergunta que parece simples, mas que organiza toda a força política do espetáculo: e se a seca não for uma fatalidade da natureza, mas consequência de decisões históricas, econômicas e políticas? A partir dessa perspectiva, a peça constrói um percurso documental que revisita diferentes momentos da história do Ceará, articulando documentos oficiais, relatos, humor e teatralidade para desmontar a naturalização da escassez de água no Brasil. Assumidamente documental, a obra trabalha com dados históricos, linhas cronológicas e tensionamentos críticos sobre os próprios documentos apresentados em cena. Há quem não se agrade com espetáculos mais didáticos, como se explicar processos históricos empobrecesse a experiência artística, muito ao contrário do que pensa essa espectadora que aqui escreve. O ...

Quando falamos de infância: escuta e endereçamento em Planeta Pelúcia

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Entre o tecido macio da fantasia e a engrenagem áspera do mundo adulto, Planeta Pelúcia constrói uma travessia que parece oscilar entre dois endereçamentos: a infância que deseja e o adulto que recorda. Há, na dramaturgia de Bruno Canabarro e na direção de Rodolfo Amorim, um esforço visível de dialogar com ambos. A partir da experiência desta espectadora, compartilhada com uma criança, evidencia-se um descompasso sutil, porém significativo: enquanto o espetáculo convida o público adulto a revisitar suas próprias perdas, com esse desejo recorrente de “manter viva a criança interior”, a criança espectadora nem sempre encontra mediações suficientes para elaborar os códigos propostos em cena. A trajetória de Pati, menina que anseia crescer para ser vista e ouvida, toca em um impulso reconhecível: o desejo de atravessar fronteiras interditadas. No entanto, o modo como o desejo da criança se constrói em cena já parece atravessado por uma lógica adulta. É como se, antes mesmo da experiência,...