A Asfixia do Capital: Corpo, Gênero e o Não-Humano em Vampyr, de Manuela Infante/ Especial MIRADA - Festival Ibero-americano de Artes Cênicas - Ed. 2026
A produção teatral da dramaturga e diretora chilena Manuela Infante tem se consolidado como um dos territórios mais férteis para a investigação da cena contemporânea latino-americana. A própria artista define sua prática como uma espécie de “filosofia encarnada”: o palco deixa de ser apenas lugar de representação e contação de histórias para se transformar em espaço de experimentação física e sensível de conceitos complexos. É dentro dessa pesquisa em torno do não-humano, que busca descentralizar o sujeito universal, racional e burguês moldado pelo humanismo iluminista, que Vampyr constrói sua força. A peça não se reduz a uma narrativa sobre o horror folclórico do vampirismo. Ao deslocar o Homem Universal do centro, Manuela Infante revela aquilo que ocupa esse lugar nas dinâmicas contemporâneas: o Capital, a exploração sistemática do trabalho e a extração predatória de energia. A encenação estrutura-se como um falso documentário, em ...