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A mostrar mensagens de março, 2026

Breves notas sobre Medeia, o tempo e a permanência

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  Foto: João Caldas Em um momento em que a cena teatral frequentemente se deixa atravessar por dispositivos e mediações tecnológicas, a escolha de encenar Séneca com centralidade na palavra, na atuação e na construção plástica do espaço é uma ousadia feliz. A direção de Gabriel Villela aposta no rigor do texto e confia que sua densidade ainda pode nos afetar. Séneca é retórico, expansivo, por vezes vertiginoso. Há sempre o risco de que a força discursiva se transforme em excesso ou cansaço. Não é o que ocorre aqui. A atuação trabalha tecnicamente a palavra: respiração, ritmo e intenção mantêm a escuta ativa ao longo da progressão trágica. O texto não é engessado nem engolido; é elaborado em cena. O resultado é uma experiência atenta, sem verborragia gratuita. A cenografia chama atenção de imediato. Delicada e monumental, organiza as marcações com dinamismo e eficácia traduzindo uma estruturação do movimento que fornece energia para a cena. A luz, a musicalidade e a trilha sonora in...